Brasil registra recorde histórico de casos de envenenamento criminoso em 2025.

Ministério da Saúde aponta aumento de 9% nas ocorrências; caso da universitária suspeita de serial killer reacende debate sobre controle de venenos.

O Brasil registrou, no primeiro semestre de 2025, o maior número de casos de envenenamento criminoso da série histórica, segundo dados do Ministério da Saúde. Foram 560 vítimas e 15 mortes entre janeiro e junho — um crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 513 casos.

O episódio mais recente e de maior repercussão envolve Ana Paula Veloso Fernandes, estudante universitária investigada pela Polícia Civil de São Paulo sob suspeita de ter assassinado quatro pessoas em cinco meses utilizando chumbinho, um veneno para ratos proibido no país. O caso reacendeu discussões sobre o controle e a fiscalização de substâncias tóxicas no Brasil.

De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), os medicamentos continuam sendo os principais agentes usados nos envenenamentos criminosos — 300 registros apenas em 2025. Já os raticidas, como o chumbinho, aparecem em segundo lugar, com 38 notificações. Desde 2007, o país já contabiliza 11.630 vítimas e 220 mortes por esse tipo de crime.

Embora o número de ocorrências quase tenha dobrado na última década, o total de mortes se mantém relativamente estável — foram 18 óbitos em 2015 e 19 em 2024.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), entre 2015 e 2024 houve uma média de 28 internações mensais por envenenamento criminoso. A entidade defende a ampliação da distribuição de antídotos nas unidades de saúde e o reforço da notificação obrigatória ao Sinan, como forma de subsidiar políticas públicas de prevenção e vigilância sanitária.

Foto: Freepik

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *